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A reputação da coragem de Meher se expandiu de tal maneira, que começou a incomodar  o maldoso rei de Khelat, o Gigante Branco:

_ “Se o que se diz por aí é verdade, logo cruzarei com ele. Meher vai querer apoderar-se da minha cidade e expulsar-me das minhas terras. É melhor que eu acabe logo com ele enquanto é jovem”, pensou Gigante Branco.

Então mandou uma carta para Meher desafiando-o para uma luta sem quartel.

Ao receber a carta, Meher ficou admirado. O que teria feito de mal ao Gigante Branco? Afinal quem era ele? Informou-se e descobriu que era mau caráter. Decidiu aceitar o desafio.

Num primeiro momento, a mãe de Meher tentou de dissuadir seu filho:

_ “Você é ainda muito jovem, o Gigante Branco é afamado e todo mundo sabe que é invencível. Tenha um pouco de paciência e espere pelo menos fazer vinte anos”.

_”A paciência é uma coisa excelente, mas envelhece as pessoas. Decidi que irei de qualquer jeito”.

Diante de tanta determinação, Quarenta Tranças de Cabelos Louros inclinou-se, mas não deixou de dar-lhe conselhos de prudência.

Meher pôs as vestes de combate de seu pai, empunhou a Espada Fulgurante e montou no seu cavalo. Montes e vales desfilaram sob as patas de Potro Djalali.

Ao anoitecer, Meher chegou perto de um manancial guardado por dois gigantes. Estava com sede e apeou, mas os dois gigantes não deixaram que ele matasse a sede.

_ “É proibido! Este manancial pertence a Gigante Branco! Ninguém tem o direito de beber desta água.”

O sangue de Meher subiu à cabeça. Precipitou-se sobre os dois gigantes, agarrou-os pelo pescoço e bateu violentamente a cabeça de um no outro.

_ “Isso é para vocês aprenderem a não impedir-me de beber quando estou com sede”.

Um deles caiu, mortinho da Silva. O outro, coberto de sangue, fugiu o mais depressa possível.

Meher, calmamente,  lavou o rosto  e esperou que o Potro Djalali matasse a sede. Aí se lembrou do gigante que conseguira fugir. Ao seguir os rastos de sangue, encontrou-o deitado aos pés de uma linda moça que estava amarrada numa árvore.

Meher desamarrou a cativa, mas ela continuou imóvel. Estava atônita diante a juventude e beleza viril de Meher.

_ “Quem é você? Por que você estava amarrada?” perguntou Meher.

Ela se esforçou para voltar a si.

_ “Sou a filha de Aslimelik, rei de Missir. Meu nome é Ismile Khatun. Quando o Gigante Branco atacou nosso país tive a infeliz idéia de olhar para os combatentes por cima dos muros de nosso jardim. De repente, Gigante Branco surgiu, agarrou-me pela cintura e me raptou. Desde aquele dia, sou sua prisioneira. Ele quer que me torne sua esposa e por ter recusado, amarrou-me a esta árvore, ameaçando-me de me reter aqui até eu mudar de idéia. Ah! como o odeio! Eu me tornaria, de bom grado, escrava daquele que o matar. Mas, pobre de mim, Gigante Branco é invencível.

_ “ De onde provém essa força?”

_ Ele me revelou a verdade, sem querer. O segredo da sua força é o Búfalo Negro, no qual ele costuma montar. Se Búfalo Negro morrer, ele perderá sua invencibilidade.”

_ “ E onde pode-se encontrar o Búfalo Negro.”

_ “Perto das lagoas, atrás da sétima colina.”

Meher já montara no Potro Djalali. Este tomou um enorme impulso e parou diante de Búfalo Negro. Meher fez o sinal da cruz por três vezes e atacou o animal. A mão de Deus guiou a do nosso herói que enfiou a Espada Fulgurante entre os olhos de Búfalo Negro.

Meher voltou para anunciar a boa nova a Ismaile Khatun. Mas ele não estava sozinho.Ao seu lado estava Gigante Branco.

_ “Você queria me ver? Estou aqui!” gritou Meher.

A luta foi terrível. A terra tremeu sob seus pés, faíscas se espalhavam ao chocar das espadas. Mesmo privado de sua força misteriosa, que o tornava invencível, o Gigante Branco continuava sendo um adversário temível. Mas finalmente foi traspassado pela Espada Fulgurante e morreu aos gritos e berros.

 Meher levou Ismile Khatun até Misir e a devolveu sã e salva ao seu pai Aslimelick. Este, com o coração repleto de gratidão decretou que a partir daquela data o povo de Sassun não seria mais considerado vassalo. Além disso, cobriu Meher de presentes e tratou-o como convidado especial.

Meher, por seu turno, acabou enamorado de Ismile Khatun. Mas era um amor impossível. Naquele tempo, duas pessoas de religiões diferente não podiam se casar. Meher, profundamente abatido, voltou para Sassun.  

Introdução

Sanazar e Baltazar

David de Sassun

Meher o Leão

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