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David de Sassun

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Após a partida de Meher para Missir, Armaghan cobriu a cama de seu marido com um véu preto. Ela também trajava um vestido de luto e vivia como uma viúva.

Quando vieram informar-lhe que Meher estava de volta, fechou todas as venezianas, trancou as portas e não se mostrou para ninguém.

Ao chegar em casa, Meher achou a porta trancada:

_ “Abra Armaghan, por favor! Estou de volta! De verdade! Lamento amargamente não ter escutado você. Deixe-me entrar...

_ “Não! É impossível!” respondeu Armaghan, lá de dentro de casa. Jurei por Deus que durante quarenta anos você não seria mais meu marido.

_ “Você está percebendo o que está dizendo? implorou Meher. Quarenta anos! E quem diz que daqui a quarenta anos ainda estaremos vivos? Fiz uma grande besteira, confesso. Sou o primeiro a entender. Você deve me perdoar por amor ao nosso país. Mesmo se for para morrermos juntos!”

Armaghan não cedeu. Não, não e não! Ela tinha jurado!

Então, João Trovão convocou todos os padres, bispos, arcebispos e doutores em teologia. Estes, discutiram, examinaram os arquivos, consultaram as Santas Escrituras, pesaram os prós e os contras e por fim, decretaram que em certos casos de força maior é permitido desobrigar alguém de seu juramento. Portanto, disseram:

_ “Os quarenta anos serão reduzidos a quarenta meses; os quarenta meses a quarenta semanas; as quarenta semanas a quarenta dias e os quarenta dias a quarenta horas.”

Um padre, um pouco débil, que estava presente disse:

_ “Vamos reduzir as quarenta horas para imediatamente.”

Um arcebispo recitou os sete salmos do penitente e todos disseram:

_ “Que Deus absolva vocês. Vão em paz. Sejam de novo marido mulher e mantenham relações novamente.”

Tudo bem”, pensou Armaghan. Mas ela sabia, no íntimo, que essas formalidades não serviam para nada.

_ “Salmos ou não”, disse a Meher, “vamos morrer ambos por não ter respeitado nosso juramento. Vamos morrer e deixar, neste mundo, um órfão. Para que servirá nosso sacrifício?”

_ “Nossas vidas não importam! De qualquer jeito vamos morrer um dia. Mas se Deus nos brindar com um filho, continuaremos a viver nele. E se Deus nos presentear com esse filho, é por que o protegerá. Nos morreremos, mas Sassun não ficará sem herdeiro.”

Armaghan acabou cedendo e logo em seguida ficou grávida. Enquanto esperava o nascimento de seu filho, Meher mandou construir um jardim zoológico em Dzovassar e também um mosteiro onde foram acolhidos os enfermos.

Após nove meses nasceu um filho homem. No seu braço direito havia uma marca de nascença vermelha em forma de cruz. Meher e Armaghan sentiram-se tranqüilizados: o menino poderia contar com a proteção divina. Batizaram-no e o chamaram David.

Então, Meher achou por bem tornar as devidas providências. Legou a David, tudo que possuía: o Potro Djalali , a Espada Fulgurante, a Santa Cruz de Guerra, suas armas e armaduras. Todavia, fincou a Espada Fulgurante num barril de piche fervendo.

_ “Se David pertence realmente a nossa raça saberá retirar a Espada do barril.”

Além disso, exprimiu o desejou de David ser mandado para Missir e confiado aos cuidados de Ismile Khatun até sua maioridade. Sentia-se devedor perante ela. Nomeou seus irmãos João Trovão e Verkô, tutores de David e confiou-lhes o povo de Sassun. Rezou, confessou, comungou e morreu como bom cristão.

Armaghan morreu no mesmo dia.

David ficou órfão. 

Introdução

Sanazar e Baltazar

David de Sassun

 

Meher o Leão

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terceira parte -David de Sassun