ARMÊNIA-BRASIL

Home

Minha História

Alfabeto

Cultura

Contos Épicos

David de Sassun

Dicionário
Armênio-Português

Dicionário
Português-Armênio

Genocídio

História

Khent

Links

Mapa

Publicações

Primeiro Capítulo

Sanazar e Baltazar

 

O povo da Armênia vivia feliz sob o reinado de GAGUIG, rei cristão, amado e venerado.

Gaguig era rico, porém mais que tudo, considerava como seu tesouro mais inestimável sua filha única, a bela e doce Dzovinar. Sua beleza era tão pura e radiante que poderia ser comparada aos astros e ao sol. Resplandecia como lua cheia aparecendo atrás das sete colinas.

Naquele tempo, Bagdad era dominado por um califa pagão, sedento de conquistas. Atacava os paises vizinhos e os subjugava. Um dia, decidiu também conquistar a Armênia. Recrutou imenso exército e invadiu o país. Matava, massacrava, destruía tudo que encontrava no seu caminho e a seguir sitiou a fortaleza do rei Gaguig.

Este, defendia-se com coragem mas sabia que cedo ou tarde seria derrotado. O exército do inimigo era dez vezes, vinte vezes mais numeroso e conseguiria de qualquer jeito apoderar-se do forte. Porém, apesar de estar convencido dessa eventualidade, resistia bravamente e repelia os ataques.

Certa noite, durante curta trégua nas hostilidades, Dzovinar aventurou-se além das muralhas do forte para respirar um pouco de ar fresco. Era noite de lua cheia. Tão logo a princesa apareceu, sua beleza ofuscou a da lua.

Neste mesmo instante, o califa de Bagdad, Senacherib, ia e vinha em frente de sua tenda. Num certo momento levantou os olhos e divisou Dzovinar junto as muralhas. Foi amor à primeira vista. A partir daquele momento nada mais importava para ele.

Logo na manhã do dia seguinte, enviou emissários para o rei Gaguig, prometendo retirar seu exército do solo armênio se ele consentisse em dar a mão de sua filha em casamento.

Gaguig mergulhou em uma situação tormentosa e indescritível. Como ele, rei cristão, poderia dar sua única filha a um pagão, o qual ainda mais a levaria para um país longínquo? No outro lado da balança havia a paz e o bem estar de seu povo. Ele amava seu povo, adorava sua filha. Qual dos dois sacrificar? Dilema cruel! Escolha impossível!

_Deus Todo-Poderoso! Ajude-me!Dê-me uma luz!

Dzovinar tomou a decisão no lugar do pai. Assim que soube do pedido do Sheik procurou o pai e disse:

_Estão dizendo que a sorte do nosso povo depende de mim. O destino quis que assim fosse. Meu dever me impele a desposar o Califa. Sei que minha felicidade está em jogo. Mas a vida da nossa gente e a paz em nosso país importa mais que meus sentimentos. Acate o pedido do Califa.

Era a própria voz da razão e da sabedoria. Gaguig, muito triste e a contragosto foi obrigado a ceder.

Porém, Dzovinar, antes de cumprir a promessa do pai, fixou por seu turno, suas condições. Primeiro, a autorização para ir em romaria à igreja erigida no Monte Azul. Segundo, a promessa formal que após a cerimônia, o Califa dela não se aproximaria durante quarenta dias; e por fim o direito de praticar sua religião cristã acompanhada por um padre que faria parte de sua corte.

Sunacherib aceitou tudo sem pestanejar.

_Então, Dzovinar, acompanhada de suas damas de honra, cumpriu a romaria até a igreja do Monte Azul. Prosternada diante do altar, passou o dia em oração e meditação. Ao pôr do sol, tomou o caminho de volta. No meio do caminho deteve-se diante de um manancial cuja água era cristalina e bebeu duas vezes no côncavo da mão. Estupefata, viu a fonte secar.

Após a cerimônia do casamento onde a única pessoa feliz era o Califa, Dzovinar despediu-se de seu pai, de seus súditos e partiu para Bagdad junto com seu esposo.

Este último sentia dificuldades em manter a sua promessa. Mas a palavra dada é sagrada. Ficou longe dela durante quarenta dias.


Introdução

Meher o Leão

David de Sassun

 

 

Sanazar e Baltazar

clique aqui para continuar

clique aqui para voltar